sexta-feira, 10 de abril de 2015

São os mercados, estúpidos ou são os mercados estúpidos

Quando certas vozes se levantaram contra a propaganda do Governo da eficácia e bondade das medidas aplicadas aos portugueses reflectidas na baixa dos juros da dívida portuguesa, afirmando que a flutuação teria por base a conjuntura internacional, a saber, a acção do Banco Central Europeu ou a melhoria do clima económico a nível europeu ou global, apelidaram-nas de loucas, de não reconhecerem o excelente trabalho até agora feito e de bota-abaixismo.

Contudo, a realidade pode demorar mas não tarda em chegar e esta semana, para surpresa de muitos, os juros atingem a fasquia mais baixa de sempre no que respeita à maturidade a dois anos. E será que se assistiu á masturbação mental de outros tempos? A resposta terá de ser negativa, pois as notícias vincaram, e bem, que a queda dos juros se deveu a um investimento do BCE em obrigações nacionais, na linha das políticas já anunciadas. Perdeu-se assim mais uma oportunidade para ver brotar dos membros do Governo o espirito de missão (quiçá suicida) e assistir aos mais rasgados elogios inter pares que já nos habituaram, mesmo quando, os dados estatísticos dão conta do aumento do desemprego, das desigualdades, quando entidades que outrora eram tidas como altamente respeitáveis e a ter em conta pelo Governo, começam a afirmar-se contra as políticas seguidas em áreas tão fundamentais como a Educação, o Ensino Superior e a Saúde.


Ou os mercados atentam a factores internos mas maioritariamente externos para projectar as suas avaliações, condimentando estas com uma pitada de indecisão e especulação, ou então os mercados são um bicho estranho, e porque não, estúpido. Fica a dúvida, com a certeza porém que cada vez mais há uma certeza: o rumo seguido não serve nem poderá servir o povo que o suporta. 

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