Quando certas vozes se levantaram
contra a propaganda do Governo da eficácia e bondade das medidas aplicadas aos
portugueses reflectidas na baixa dos juros da dívida portuguesa, afirmando que
a flutuação teria por base a conjuntura internacional, a saber, a acção do
Banco Central Europeu ou a melhoria do clima económico a nível europeu ou
global, apelidaram-nas de loucas, de não reconhecerem o excelente trabalho até
agora feito e de bota-abaixismo.
Contudo, a realidade pode demorar
mas não tarda em chegar e esta semana, para surpresa de muitos, os juros
atingem a fasquia mais baixa de sempre no que respeita à maturidade a dois
anos. E será que se assistiu á masturbação mental de outros tempos? A resposta
terá de ser negativa, pois as notícias vincaram, e bem, que a queda dos juros
se deveu a um investimento do BCE em obrigações nacionais, na linha das
políticas já anunciadas. Perdeu-se assim mais uma oportunidade para ver brotar
dos membros do Governo o espirito de missão (quiçá suicida) e assistir aos mais
rasgados elogios inter pares que já
nos habituaram, mesmo quando, os dados estatísticos dão conta do aumento do
desemprego, das desigualdades, quando entidades que outrora eram tidas como
altamente respeitáveis e a ter em conta pelo Governo, começam a afirmar-se
contra as políticas seguidas em áreas tão fundamentais como a Educação, o
Ensino Superior e a Saúde.
Ou os mercados atentam a factores
internos mas maioritariamente externos para projectar as suas avaliações,
condimentando estas com uma pitada de indecisão e especulação, ou então os
mercados são um bicho estranho, e porque não, estúpido. Fica a dúvida, com a
certeza porém que cada vez mais há uma certeza: o rumo seguido não serve nem
poderá servir o povo que o suporta.
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